22/07 Filmes vencedores de premiações nacionais e internacionais e recente produção audiovisual, com temática indígena, serão exibidos simultaneamente em Contagem mais cem cidades do Brasil. Toda a programação terá entrada franca
A terceira edição do Vídeo Índio Brasil (VIB) vai contemplar em 2010 cidades de todos os estados brasileiros. O festival acontece de 31 de julho a 07 de agosto, quando serão exibidos filmes com temática indígena em mais de cem cidades, simultaneamente. Contagem é uma das escolhidas para receber o festival neste ano. Desde 2008, o VIB é realizado em Mato Grosso do Sul, estado com a segunda maior população indígena do país, tendo Campo Grande como cidade sede.
O festival será realizado no Espaço do Saber, Rua Portugal 370. Glória. Todos os dias, a partir das 8:30, o Vídeo Índio Brasil vai apresentar uma programação com diferentes filmes, com entrada franca. Neste ano, estiveram na disputa 80 filmes de todo o Brasil para compor a mostra audiovisual do projeto. A curadoria do VIB selecionou longas e curtas-metragens nas categorias documentário, ficção e animação, compondo uma diversidade de produções realizadas por índios e não índios que mostram, por meio do audiovisual, peculiaridades das culturas indígenas de todo o país.
O objetivo do festival é fortalecer e divulgar a temática indígena no Brasil. "O Vídeo Índio Brasil tornou-se um dos principais programas referentes à difusão das culturas indígenas no país. Como o Brasil é signatário da Convenção Mundial da Diversidade Cultural, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estamos dando nossa contribuição", resume o idealizador, e diretor do VIB, o produtor cultural Nilson Rodrigues.
Na programação de abertura do festival, dia 31 às 17:00, estão duas produções: “Já me transformei em imagem”, de Zezinho Yube e “De volta à terra boa”, de Vincent Carelli, ambas do Vídeo nas Aldeias. O primeiro filme conta com a participação do povo Hunikui (Kaxinawá), do Acre, que relata a importância do registro audiovisual para a perpetuação da história da etnia - do tempo do contato, o cativeiro nos seringais até o trabalho atual com o vídeo. Outra produção que compõe a abertura, “De volta à terra boa”, é um registro sobre os Panará que narram a trajetória do reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu (MT), até a luta e reconquista da posse de suas terras.
Entre outros filmes que ainda compõem a mostra audiovisual estão: “Mokoi tekoá petei jeguatá – duas aldeias, uma caminhada”, de Ariel Ortega, Jorge Morinico e Germano Benites (Vídeo Nas Aldeias) sobre o cotidiano de duas comunidades Guarani na região sul do Brasil, que sem matas para caçar e sem terras para plantar, dependem da venda de artesanato nas cidades para sobreviver; “Terra vermelha”, ficção de Marcos Bechis sobre o conflito de terras dos Guarani-Kaiowá, em territórios indígenas de Mato Grosso do Sul e “Corumbiara”, de Vincent Carelli, premiado documentário brasileiro, vencedor do Kikito no Festival de Gramado 2009, que denuncia o massacre dos índios Akuntsu e Kanoê (Rondônia).
Além da exibição dos filmes anunciados, as cidades brasileiras terão debates sobre questões indígenas e conteúdo das produções exibidas. Em Contagem, a programação será a seguinte:
No dia 3 de agosto, após a sessão da tarde (14:00), teremos a palestra “Pensamento Guarani: hermeneutica e epistemologia. Experiência APG (Assembléia do Povo Guarani)”, com o Professor Victor Rene Villavicencio, da PUC Minas e Projeto Viva o Povo Guarani.
No dia 6 de agosto, também após a sessão da tarde, teremos uma palestra sobre literatura indígena com a professora Maria Inês de Almeida, professora da FALE/UFMG e coordenadora do núcleo de pesquisa Literaterras.
Além de sessões comentadas, nas sessões das tardes.
Em Campo Grande (MS), cidade sede do Vídeo Índio Brasil, além da exibição dos filmes haverá o Seminário “A Imagem dos Povos Indígenas no Século 21” para discutir as novas tecnologias da comunicação e o espaço que o índio tem na mídia brasileira. Também na Capital de Mato Grosso do Sul acontecerá a oficina de audiovisual direcionada apenas a índios. Desde a primeira edição do VIB a oficina vem sendo realizada.
Programação:
abertura: 31 / sábado 17:00
1º domingo 17:00 (sessão comentada)
2 segunda 8:30 / 14:00 (sessão comentada) / 19:00
3 terça 8:30 / 14:00 / 19:00
Após a sessão da tarde, palestra Pensamento Guarani: hermeneutica e epistemologia. Experiência APG (Assembléia do Povo Guarani), com o Professor Victor Rene Villavicencio, da PUC Minas e Projeto Viva o Povo Guarani.
4 quarta 8:30 / 14:00(sessão comentada) / 19:00
5 quinta 8:30 / 14:00(sessão comentada) / 19:00
6 sexta 8:30 / 14:00 / 19:00
Após a sessão da tarde, palestra com a professora Maria Inês de Almeida, professora da FALE/UFMG e coordenadora do núcle de pesquisa Literaterras
7 sábado 17:00
Algumas sessões das 19:00, no decorrer da semana, serão comentadas. Teremos a confirmação dos nomes na quinta feira.
Histórico - O Vídeo Índio Brasil 2010 é patrocinado pelo Ministério da Cultura, Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural e Secretaria do Audiovisual. O projeto nasceu de uma mostra cinematográfica do 4º Festival de Cinema de Campo Grande – FestCine Pantanal, em 2007, em uma realização do CineCultura. No ano seguinte, o projeto tomou forma e as duas edições realizadas (2008 e 2009) contaram com o apoio do Ministério da Cultura, da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural e do Fundo Nacional de Cultura. O festival teve ainda apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério do Turismo. Em 2008, três cidades participaram do Vídeo Índio Brasil: Campo Grande, Dourados e Corumbá. No ano de 2009, o projeto ampliou seu circuito de exibição para sete cidades de MS.